sexta-feira, 25 de janeiro de 2013

Culinária do Derivado do Caju – Alimentação de Qualidade


Culinária do Derivado do Caju – Alimentação de Qualidade

Agosto-2010


Aula Culinária dos Derivados do CAJU/almoço 

Publico Alvo: Mães das crianças 



Programa Educar Crianças para não Punir Adultos do CCAPBrasil
O caju contém cerca de 156 mg a 387 mg de vitamina C, 14,70 mg de cálcio, 32,55 mg de fósforo e 0,575 mg de ferro por 100 ml de suco.







O objetivo maior desse curso é introduzir na culinária a fibra do  pedúnculo de CAJU transformada em carne básica, matéria prima principal na produção de pratos saborosos, altamente nutritivos e de baixo custo, contribuindo assim, para a melhoria da qualidade de vida das famílias brasileiras.






CARNE BÁSICA DE CAJU



10 cajus,
 2 cebolas médias picadas;
1 pimentão picado sem a pele e sem sementes;
2 tomates picados sem peles e sem sementes; 











2 colheres (sopa) de molho inglês,
3 colheres (sopa) de óleo.
A gosto;sal, colorífico, pimenta do reino, cheiro-verde 











MODO DE PREPERAR - Elimine as extremidades dos cajus e corte-os em fatias, passando rapidamente por processador de alimentados somente para quebrar a fibra. Transfira para uma peneira e esprema muito bem até obter uma fibra enxuta (aproveite o suco para outras receitas). Leve ao fogo uma frigideira anti-aderente, aqueça o óleo e frite a fibra do caju por mais ou menos 15 minutos. Gradativamente vá acrescentando os outros ingredientes, mexendo sempre até que todos os temperos estejam bem unificados. Esse processo varia de 30 a 40 minutos. 






STROGONOFF DE CAJU
1 kg de caju cortado em tiras;
4 colheres (sopa) de manteiga;
Sal, pimenta-do-reino e vinagre a gosto;
2 cebolas médias picadinhas,
½ xícara (chá) de conhaque;
3 tomates picados grande sem peles e sem sementes;
1 colher (sopa) de mostarda;
2 colheres (sopa) catchup;
1 lata de creme de leite;
 1 vidro de cogumelos.


MODO DE FAZER - Corte os cajus em tirinhas finas e tempere com sal, pimenta-do-reino e vinagre. Deixe tomar gosto por, no mínimo, quatro horas. Derreta três colheres (sopa) de manteiga numa frigideira grande e vá fritando a carne de caju, aos poucos, em fogo alto, sem deixar juntar suco. Retire a carne da frigideira, junte mais uma colher (sopa) de manteiga, frite a cebola.  Volte a carne para a frigideira juntamente com a cebola. Despeje o conhaque, deixe aquecer e incline levemente a frigideira para que o conhaque incendeie. Deixe flambar até acabar a chama. Junte os cogumelos, tampe a frigideira e continue cozinhando por alguns minutos. Acrescente os tomates, a mostarda e o catchup, mexa bem e torne a tampar a panela, deixando cozinhar por mais cinco minutos.  No momento de servir, junte o creme de leite misture bem e retire do fogo antes de ferver. Sirva com arroz branco e batata palha.


 
  BOBÓ DE CAJU
10 cajus cortados em tirinhas;
2 colheres (sopa) de azeite de oliva;
1 colher (sopa) de manteiga;
 1 cebola grande cortada em cubos;
2 tomates sem peles cortados em cubos;
1 pimentão cortado em cubos;
2 dentes de alho amassados;
 2 tabletes de caldo de camarão;
1 colher (chá) de colorífero;
2 xícaras (chá) de leite de coco;
500g de macaxeira cozida e sem a fibra central; 
2 ½  copos de leite de vaca;
A gosto sal, azeito de dendê e molho de pimenta vermelha.



MODO DE PREPARAR - No liquidificador, bata a macaxeira em pedacinho juntamente com o leite de gado. Reserve. Em uma frigideira larga derreta a manteiga e frite ligeiramente as tirinhas de caju previamente temperadas com sal e alho amassado. Em outra panela, refogue no azeite o restante do alho e a  cebola cortada em cubos, Após alguns minutos, acrescente o pimentão e o tomate, deixando refogar até que os temperos se desfaçam. Adicione o colorífico, o caldo de camarão e uma xícara (chá) de água quente. Deixe ferver. Junte agora o caju, a macaxeira batida e o leite de coco, mexendo continuamente e deixando cozinhar até obter um creme de boa consistência. Retifique o tempero se precisar, acrescente o molho de pimenta e o azeite de dendê, transfira para o prato de serviço e sirva bem quente com arroz branco. 

SALPICÃO DE CAJU


400g fibra de caju temperada;
 ½ kg de cenouras cortadas em cubos e cozidas al’dente;
350g de batatas cortadas em cubos e cozidas na água e sal al’dente;
 250g de vagens cortadas na diagonal e levemente  aferventadas;
1 xícara (chá) de passas sem caroços de molhadas;
250g de palmitos picados;
3 maçãs verdes cortadas em cubos e borrifadas com suco de limão (para não ficar escura);

 2 colheres (sopa) de salsinha picada;
½ xícara (chá) de azeitonas verdes picadas;
 2 colheres (sopa) maionese;
1 colher (sopa) de creme de leite;
2 colheres (sopa) de azeite de oliva;
½  pacote de bacon frito e esmigalhado para polvilhar;
 250g de batatas palha para finalizar o prato.

MODO DE PREPARAR - Em uma saladeira grande combine os nove primeiros ingredientes. À parte, misture a maionese, o creme de leite e o azeite. Despeje sobre o salpicão envolvendo tudo muito bem. Coloque o sal se precisar, transfira para um prato de serviço e leve à geladeira por mais ou menos duas horas.  Antes de servir, polvilhe com o bacon esmigalhado, contorne com as batatas palha e decore com flores de tomates.



Guerreira dos Pomares do Caju Célia Maria

            O caju é realmente fruto de suma importância para nosso solo brasileiro, numa visão artística é como escultura para ser apreciado tanto na sua forma anatômica como e sua essência de sabor. Esta fruta rica em vitamina C e inspiradora de muitas cantorias realmente precisava de um braço forte de Maria para novamente ser erguido neste vasto pomar chamado Brasil.
            É sem dúvida, você Célia Maria a guerreira a lutar por esta causa do paladar! Resgatando do Cajueiro sua historia levando a cultura alimentando a mente e o corpo com este projeto que embala a brisa nas folhas do cajueiro, mostrando ao mundo a força da mulher nordestina sua perseverança em entender a terra árida, sem nunca esmorecer nas páginas da desesperança.
           Lendo seu projeto eu Gessy de Souza Ramos, fiquei fascinada com sua verdade explicita ao expor este movimento cultural do Cajueiro, onde plantar uma árvore frutífera passa ser registro de época. 
           Achei interessante ressaltar as cantigas de rodas, as rendeiras que tecem ao pé do cajueiro suas tramas do rendado da mulher nordestina, ensinando suas crianças com as canções preservando a historia que somente o canto da velha senhora rendeira não deixa adormecer nos antigos engenhos da vida.
            Este teu projeto é uma cartilha ilustrada da vida que pulsa! Movimenta a arte reaviva as lendas do caju na sensibilidade do Braille seguira o mundo, levando a historia das artistas nordestinas a todos os solos rompendo fronteiras. 
            Registrando o artesanato, mundo que inspira artistas a pintarem cajus em variadas formas, seja no pano de prato na caixa de jóia ou na tela a óleo.
             O projeto é lindo é o próprio caju criando vida nas palavras, aromatizando nossa gente, espalhando a fragrância do solo nordestino. Você esta de Parabéns Maria Célia!
            Precisamos de mulheres como você, pensadoras educadoras nesta caminhada pela arte do existir. Compondo linha a linha a força deste vasto campo chamado Brasil.
            Célia Maria que os pomares do nosso País sejam sempre lembrados com seu pioneirismo de frutificar esta terra de solo fértil, levando para as mesas o caju em forma de suco, fruta ou doce, abrigando o alimento em solo nacional. Célia seu próprio nome representa á transformação: Célia ou Alice imortalizada nos pomares da consciência, você carrega a força de duas mulheres em seu nome, acompanhado de Maria exemplo vida.  Que seu projeto leve para o Brasil e o mundo a cultura e a inclusão social.   
             Somente artistas ousam entender a alma, minha profunda admiração por seu trabalho. Dizem que os anjos sempre estão fazendo encontros para vida seguir caminhos Lúcia foi este anjo ao nos apresentar. Que este teu legado em fortalecer a esperança das mulheres nordestinas te defina nesta tua luta como,  Célia Maria a Guerreira dos Pomares do Caju.
             Sempre que a brisa da determinação  tocar as folhas dos pomares de Caju, taças de barro ou cristal preenchida de cajuína brindem a força da mulher nordestina.     Que Célias Marias, brotem nestes pomares do existir fazendo do solo árido o tapete verde da esperança frutificando em cada árvore de caju a historia da mulher nordestina em arte e perseverança.                                        
                                    Gessy de Souza Ramos                                        
        Artista plástica

  

                                       A MULHER NORDESTINA


Tão frágil e sonhadora
Tão forte e  iluminada
Segue romaria
Quer ver Maria
Quer sonhar
Quer tecer a vida
Tem braços fortes
Enfrenta a vida
Enfrenta a morte
Nunca desiste de sua sorte
Ainda sonha o sonho de menina
Na pureza das romarias baila, baila
Quer agradar Virgem Maria

Gessy de Souza Ramos
Artista plástica

 


CAJU

Nos pomares da vida
Caju preenche a terra
Cajuina é vinho
Cajueiro conta historia
De mulheres nordestinas
Que sempre serão meninas 

Meryluz de Mahssur
Artista plástica

As árvores plantadas no período chuvoso (Festa Anual da Árvore, foi instituída pelo Presidente CASTELO BRANCO, por meio do Decreto-Lei nº. 55.795, de 24 de fevereiro de 1965), terão aproximadamente quatro meses para sua sustentação e adaptação no solo, já que o clima no Ceará estará mais fértil e ameno. 
                                                                                   





 Célia Maria Leite - Presidente do CCAPBrasil

quarta-feira, 27 de junho de 2012

PRIMEIRA MULHER ELEITA PELO VOTO LIVRE


XLV  NOITE   DOS   DESTAQUES DO ANO
2012


Dona Aldamira Fernandes (Prefeita de Quixeramobim-1958)  e
Célia Maria Leite (Presidente do CCAPBrasil).

• Porque o nome da comenda Aldamira Guedes Fernandes? Minha amiga-colaboradora Célia Maria Leite Presidente do CCAPBrasil, pesquisou, e, em 1958, no município de Quixeramobim Estado do Ceará, elegeu a primeira mulher no Brasil pelo voto livre para o cargo do Poder Executivo (Prefeita), não por falta de homens, e sim por eles reconhecerem que existia uma mulher, capaz de vencer o seu adversário.

Os    homenageados  na  Noite   dos  Destaques   são  indicados   por   vários
segmentos da Sociedade Cearense, através de uma comissão criteriosa, e, da coluna que subscrevo, como jornalista Flávio Torres do O Estado (Fortaleza-Ceará). Podemos citar as  Personalidades Cearenses que
 tiveram os seus nomes nos Troféus Destaques do Ano,   tais como: Luíza Távora, Jonas Carlos Silva, Tereza Gomes, Raimundo Luiz, Romeu Prado, Eridan Mendonça e outros.


Este Ano acontecerão eleições municipais  e,  para resgatar a História Política Brasileira, foi aclamado, por todos da Comissão, que o “XLIV Troféu Destaque do Ano” levará o nome da Senhora Aldamira Guedes Fernandes (89 anos de idade), a primeira mulher a assumir o Poder Executivo, no dia 12 de outubro de 1958, em Quixeramobim, município localizado no sertão central do Ceará, por meio do voto livre. Assumiu a prefeitura de 25 de março do ano seguinte. Ela foi de fato e de direito popular, a primeira mulher brasileira a se tornar prefeita através das urnas.


Foi eleita pelo Partido Social Democrático (PSD), anos mais tarde transformado no Movimento Democrático Brasileiro (MDB). Com a Constituição de 1988, o partido recebia   mais  uma   letra,   surgindo   o   Partido  do   Movimento Democrático   Brasileiro  (PMDB).

O Troféu Aldamira Guedes Fernandes foi entregue durante a “XLV Noite dos Destaques do Ano” a Personalidades Cearenses que se destacaram em suas atividades em prol da sociedade em geral, em um jantar requintado com música ao vivo, que aconteceu no dia 13 de setembro no Teka`s Buffet.



Dona  Aldamira  e  Margarida Borges (Primeira Delegada  Polícia Civil do Brasil)

  

HISTÓRIA POLÍTICA DO BRASIL - PODER EXECUTIVO  E  LEGISLATIVO                               
Nós mulheres conquistamos o direito de votar no Brasil. O Decreto nº.  21.076, de 24 de fevereiro de 1932, instituiu o Código Eleitoral Brasileiro, e o artigo 2º disciplinava que era eleitor o cidadão maior de 21 anos, sem distinção de sexo. Faz somente 80 anos que a mulher brasileira ganhou o direito de votar nas eleições nacionais.  Mesmo assim, na época a conquista não foi completa. A legislação permitia apenas que mulheres casadas (com autorização do marido), viúvas e solteiras com renda própria pudessem votar. Essas restrições só foram eliminadas no Código Eleitoral de 1934. No entanto, a lei não tornava obrigatório o voto das mulheres. Apenas o masculino. As mulheres só passaram a ter a obrigatoriedade de votar em 1946.                                                                       

Em 1997, o Congresso Nacional instituiu o sistema de cotas na Legislação Eleitoral, por meio da lei 9.504. Em 2009 essa legislação seria reformada, obrigando os partidos a inscreverem, no mínimo, 30% de mulheres nas chapas proporcionais.





Dra. Carlota Pereira de Queiroz, primeira deputada federal do Brasil, eleita por São Paulo em 1933.    Sua projeção na política paulista surgiu durante a Revolução Constitucionalista de 1932.  Ela organizou um grupo de 700 mulheres e junto com a Cruz Vermelha deu assistência aos feridos nesta guerra civil.    Esse trabalho serviu de semente para uma vida pública, com deputada federal.



Do outro lado do globo, a Nova Zelândia foi o primeiro país do mundo a conceder o direito ao voto as mulheres no ano de 1893, as quais tinham direitos políticos no âmbito municipal desde 1886.Na América Latina, o primeiro país que concedeu o voto as mulheres foi o Equador em 1929.


O Rio Grande do Norte portanto foi primeiro 
Estado brasileiro a conceder o voto à mulher. As duas primeiras mulheres alistadas como eleitoras no Brasil foram  as professoras 
 Celina Vianna de Mossoró     














   e Júlia Barbosa de Natal, ambas do Rio Grande do Norte. 




Lages-Rio Grande do Norte - 1928




Também seria potiguar a primeira prefeita do Brasil, Luíza Alzira Teixeira Soriano, eleita no município de Lages, em 1928, aos 32 anos, disputou as eleições pelo Partido Republicano. Venceu o pleito com 60% dos votos. Tomou posse em 1º de janeiro de 1929, quando também se tornou a primeira mulher a assumir o cargo na América do Sul. Entretanto, como fora eleita pelas regras de decreto do governador do Estado, como previa a lei naquela época. Com a Revolução de 1930 perdeu o mandato por não concordar com as exigências do governo Getúlio Vargas.








Dona Aldamira Fernandes e Maria das Graças(sua filha - Princesa)







E o que valeu como eleita e que ficou no cargo 


foi Aldamira Guedes Fernandes, em Quixeramobim. Aos 12 de outubro de 1958 a 13ª junta apuradora da Justiça Eleitoral da comarca de Quixeramobim/CE declarava encerrada a apuração dos votos para o cargo majoritário no município sertanejo situado a 206km de Fortaleza. O extrato da ata geral anunciava Aldamira vencedora do pleito para o Poder Executivo local. Com maioria absoluta de votos, 59%, comemorava a conquista, sendo empossada no dia 25 de março do ano seguinte. No Brasil, pela primeira vez, uma mulher assumia o cargo por meio do voto.

Dona ALDAMIRA (centro) - Quixeramobim-1958




Princesa Isabel - Cristina Leopoldina Augusta Micaela Gabriela Rafaela Gonzaga de Bragança e Bourbon. A primeira mulher a exercer o mais alto posto de poder no Brasil carregava várias mulheres no nome. A Princesa Isabel, ficou conhecida como “redentora dos escravos”, mas acumulou outro título: o de primeira mulher a administrar o Brasil. Filha de dom Pedro II, esteve a frente do governo durante as viagens do pai ao exterior. Em maio de 1888, Isabel assinou a Lei Áurea acabando com a escravidão.







No ano 2010 o Brasil elegeu pelo voto Dilma Roussef como sua primeira presidente, e hoje as mulheres estão à frente de dez ministérios, entre eles a Secretaria Especial de Políticas para as Mulheres, chefiada por Eleonora Menicucci, que tem status de ministra.

HISTÓRIA É CULTURA


FONTES:

sábado, 16 de junho de 2012

CCAPBrasil Desenvolve o Turismo Sustentável e Religiosa - CASA DE PEDRA


CASA DE PEDRA

Comunidade rural quer preservar recanto turístico

03.06.2012 DIÁRIO DO NORDESTE - REGIONAL



Caverna em Madalena é atração para visitantes, mas precisa de ações de conservação ambiental para toda a área
Madalena. Os moradores do Assentamento Umarizeiras, uma comunidade situada na localidade de São João dos Guerra, a mais de 40Km do Centro de Madalena, no Sertão Central, estão preocupados com a preservação da Casa de Pedra, um conglomerado de cavernas naturais existente naquela área rural, concedida pelo Instituto Nacional de Colonização e Reforma Agrária (Incra) a famílias de lavradores ali residentes. O lugar, considerado por muitos a principal atração turística do Município, mesmo distante das principais rodovias da região, está atraindo cada vez mais visitantes, na maioria, jovens. Mas quando saem deixam rastros de sujeira e cicatrizes no exótico patrimônio natural, ainda pouco conhecido.

Casa de Pedra: "salão da princesa prateada", um dos pontos místicos do lugar Fotos: Alex Pimentel
Uma das principais preocupações é com a pichação das rochas. Como não conhecem a formação dos minerais não sabem se as marcas podem ser raspadas sem danificá-las. Das declarações de amor a propagandas políticas, as manchas do descaso com a natureza estão se multiplicando nas paredes de pedra. Tem até mensagens religiosas. Alguns começaram a levar alguns pedaços de minerais como suvenir. Em troca, costumam deixar lixo espalhado. Para dificultar ainda mais a preservação, as correntes de ar arrastam sacos plásticos e até as garrafas pets para locais de difícil acesso.

A presidenta da Associação Comunitária dos Produtores de São José dos Guerra, professora Jovina Oliveira Celestino, considera o turismo ecológico muito importante. "A Casa de Pedra é um dos lugares ideais para esse tipo de atividade. Mas deve ser realizado com responsabilidade. Os visitantes são bem vindos, mas é preciso organizar, orientar e conscientizar quem parte de longe para conhecer o lugar, os seus mistérios e manter um inesquecível contato com a natureza". Por isso, a Associação pretende cercar todo o entorno das cavernas e coordenar as visitas. Os grupos serão acompanhados de guias da comunidade.

A ação conta com a parceria do Centro Cultural de Arte Popular e Apoio ao Desenvolvimento Educacional e Social (CCAP Brasil), uma Organização Não Governamental (ONG) fundada há quase 20 anos na vila de São José da Macoaca, também em Madalena. Para a presidenta da CCAP Brasil, a psicóloga Célia Leite, o incremento proposto viabilizará o lazer de qualidade, a interação com outras comunidades e também a geração de renda para os moradores da circunvizinhança do parque geográfico. O lugar também é ideal para a realização de pesquisas de campo, científicas e históricas. Ainda falta muita coisa a explorar, mas sem dúvida é necessário ter controle, caso contrário o patrimônio natural estará comprometido, acrescenta.

As anfitriãs têm razão. Um dia de caminhada não é suficiente para conhecer a Casa de Pedra, como o recanto ficou conhecido por possuir vários salões, alguns deles semelhantes a ambientes bem familiares, com mesa e cadeiras, de pedras. A arquitetura natural deslumbra qualquer aventureiro. Mas é preciso ter disposição e usar calçados, roupas e equipamentos adequados para montanhismo. Além dos caminhos, os mais dispostos poderão escalar os rochedos. A flora e a fauna são atrações à parte. Morcegos, cobras e até onças aparecem de vez em quando. Por isso é preciso estar acompanhado de quem conhece os segredos da vivenda natural.

Quem nasceu e vive no lugar estima uma área superior a 7Km de extensão de labirintos rochosos formados ao longo de milhares de anos. Mas ninguém sabe ao certo quantas cavernas existem naquele espaço geográfico. Certos mesmos apenas os salões da "Princesa", dos "Namorados" do "Boi" e de "Nossa Senhora". Não bastassem todas essas riquezas, algumas inscrições rupestres já foram encontradas nas galerias naturais de São João dos Guerra, garante o acadêmico de História Valquimar de Oliveira. Resta, porém, o interesse de especialistas em aprofundar as pesquisas. Por enquanto apenas curiosos têm explorado as esculturas naturais.

Como chegar
Segundo os antigos da região, os tropeiros utilizavam o caminho da Casa de Pedra para seguir de Quixeramobim (antigo Campo Maior) a Santa Quitéria. Nos dias atuais, para chegar até lá é preciso invadir o Município de Itatira. Quem parte de Fortaleza, da Igreja Sagrado Coração de Jesus, são 176km pela BR-020, até a Vila São José da Macaoca. À direita, são mais 28Km de asfalto, pela CE-366, até Lagoa do Mato, em Itatira. Dali até o destino final é preciso percorrer mais 17km, de estrada carroçável. A Casa de Pedra é na antiga caieira do lugar, área de limite entre Itatira e Madalena, mas é patrimônio deste último Município.

Patrimônio
"Temos um valioso tesouro em nossas mãos, mas para ele não perder a sua riqueza é preciso conservá-lo"
Jovina Oliveira CelestinoProfessora

"É importante as pessoas terem a consciência de preservar este lugar porque ainda resta muita coisa a ser explorada"Valquimar de OliveiraAcadêmico de História

Mais informaçõesAssociação Comunitária dos Produtores de São José dos Guerra
Assentamento Umarizeiras / Madalena - Ceará
(85) 9244.7198

Mitos e mistérios do imaginário
Madalena. Além de suas riquezas naturais, a Casa de Pedra possui outros atrativos muito peculiares. Um deles é um místico portal de acesso ao lugar, o "cemitério de anjinhos". De acordo com os moradores mais antigos, o campo-santo, com algumas cruzes de madeira, recebe esse nome porque era costume sepultar os recém-nascidos, mortos antes de serem batizados, fora dos cemitérios. Eram considerados anjinhos.

O conjunto de galerias formadas pela natureza deslumbra os visitantes da Casa de Pedra. Ao mesmo tempo é possível contemplar a geografia, a flora e a fauna
Muitos morriam de diarreia nos primeiros meses de vida. Quem ousasse em desrespeitar as leis da Igreja Católica era amaldiçoado. O costume se preservou por décadas. Ainda hoje ocorrem sepultamentos ali, segundo afirma a professora Jovina Celestino.

Fatalidade
Na década de 1950 aconteceu uma fatalidade ao lado do parque santo. No mesmo espaço havia uma caieira em plena atividade. Certo dia um trabalhador caiu dentro do forno. Era o jovem Miguel. Ele havia trocado a escola pela caieira para ajudar no sustento da família, lembra o sobrinho José Mauro de Moraes Campos, hoje com 53 anos. Ele também mora nas imediações da Casa de Pedra. Desde criança, José Mauro tem ouvido falar histórias sobre o operário "sacrificado" na caieira.

Milagres
Com o passar dos anos, os mais religiosos começaram a pedir milagres no local onde o jovem deu seu último suspiro. Para muitos ele foi sepultado ali, onde está cravada a maior cruz, ao lado da caieira. As preces começaram a ser atendidas e a crença no operário santificado pelo povo se fortaleceu e se espalhou.

A cada dia aumenta o número de peregrinos, parte deles são estudantes como ele, em busca de sucesso nos estudos. Essas manifestações levaram a comunidade a tomar mais uma decisão. Os moradores, juntamente com a Organização Não Governamental (ONG) Centro Cultural de Arte Popular e Apoio ao Desenvolvimento Educacional e Social (CCAP) Brasil, pretendem erguer naquele local a capela de São Miguel Arcanjo, e transformá-lo em um espaço ecumênico e de meditação.

Mas se do lado de fora podem contar com um santo, do lado de dentro tem muita assombração. Quem mora próximo à Casa de Pedra já ouviu gritos e gemidos saindo de lá. Alguns acreditam serem de almas penadas, outros, coisa sem explicação mesmo.

De certo poucos se aventuram em adentrar ali ao escurecer. Se não houver nenhum fantasma ou coisa do além pode der gente do mal. "Certa vez um bando de assaltantes utilizou as grutas como esconderijo. A polícia cercou o local, mas quando entraram nas cavernas não encontraram nada. Os criminosos desapareceram, sem deixar rastros". Existe ainda a lenda da princesa do sorriso prateado. Ouvir falar mal dela ninguém ouviu, até porque quem teve a oportunidade de se deparar com o misterioso vulto não esperou para ver direito. Mas para os mais céticos trata-se apenas de um efeito visual, provocado pelas frestas de luz a determinada hora do dia nos rochedos do salão onde ela teria sido vista. Dependendo do ângulo, quando alguém caminha sobre as rochas, ao ser atingido pelos raios solares, o corpo parece reluzir. Por esse motivo o lugar ficou conhecido como "salão da princesa prateada".

Fundo de verdadeNessas histórias Antônio Celmino Oliveira não acredita. Ele também não acreditava na lenda da botija. Ainda criança ouvia os pais falarem num andarilho misterioso. Teria escondido um vaso de metal, contendo moedas de ouro, num dos salões da Casa de Pedra. Alguns até falavam em uma extensa corrente do metal nobre, de ouro, até atravessava a estradinha ao lado. Não conseguiu pegar um pedaço dela não, mas guarda com carinho uma das moedas encontradas por ali, de 400 Réis, segundo ele, de prata. "Moro aqui há 20 anos. Ao longo dos anos as pessoas podem ter exagerado, mas com certeza esses contos devem ter um fundo de verdade".

Susto
Mas é sentar um pouco no batente do alpendre da morada de João Bernardo Barbosa, 72 anos, outro vizinho da Casa de Pedra, para voltar a se assustar novamente ou no mínimo se impressionar com os causos de assombração. Mas para ele visão tem em todo canto. Certa vez, estava fazendo caçada quando seu cachorro adentrou nas locas atrás de um tatu. Para sua surpresa passou a ouvir um galo cantando. Era meia-noite, mas mesmo assim tomou coragem e entrou também. Não encontrou mais nada. Nessas horas todo mundo se assusta. Se ainda está vivo para contar essas histórias é porque não lhe fizeram nenhum mal. Mesmo assim ele não recomenda adentrar nas locais, principalmente em noite sem lua. No escuro o susto é maior, alerta.

Moradores
104 famílias moram no Assentamento Umarizeiras. Para quem quer visitar a Casa de Pedra, 221Km é a distância rodoviária de Fortaleza até o local

Mais informações
CCAP Brasil
Rua Raimundo Silva Sousa S/N
Vila de São José da Macaoca - Madalena
(85) 9664.4422

ALEX PIMENTELCOLABORADOR
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